Cinema: ‘Sully’ reconta caso do US Airways 1549

Foto: Warner Bros. Pictures

Acidentes aéreos são mesmo um prato cheio para o cinema. ‘Sully: O Herói do Rio Hudson’, lançado com atraso no Brasil por conta da tragédia com o avião da Chapecoense, é prova disso. Apesar de tratar de um assunto requentado para o grande público, o filme conquistou nada menos que o quarto lugar das bilheterias nacionais na sua semana de estreia.

O bom desempenho tem explicação. Além do elenco de qualidade, encabeçado por Tom Hanks, ‘Sully’ é tecnicamente impecável e reconta uma história ao mesmo tempo real e impressionante: o pouso de um Airbus 320 da US Airways em pleno rio Hudson, em Nova York, com 155 pessoas a bordo — e absolutamente nenhuma fatalidade.

Fiel ao relatório final

Dirigido por Clint Eastwood, ‘Sully’ convence também porque foge dos clichês que acometem quase toda produção hollywoodiana com temática de aviação. O fato de respeitar fielmente o relatório final do NTSB, publicado pouco mais de um ano depois do acidente, em 2010, torna o filme uma excelente fonte de pesquisa para pilotos e comissários.

Foto: Warner Bros. Pictures

Primeiro porque, graças à computação gráfica, reproduz com níveis impressionantes de realidade diversos aspectos técnicos do caso. Depois, porque discute temas relevantes, como a influência do fator humano na segurança de voo e o conflito de interesses entre tripulantes, companhias aéreas, seguradoras, fabricantes e órgãos de investigação, entre outros elementos, quando envolvidos no cenário de um acidente.

Atuação das comissárias

Além de reproduzir com competência o contexto de um pouso não preparado na água — por si só uma situação bastante desafiadora para a tripulação de cabine — , ‘Sully’ mostra como as três comissárias, à época com idades entre 51 e 58 anos, conseguiram comandar com sucesso uma evacuação complexa e cheia de contratempos.

É possível observar o uso das vozes de comando, a questão da hierarquia na tomada de decisão para evacuação e todo o desenrolar da emergência, da abertura das portas (incluindo a falha na inflação automática do slide da porta 1L) até o cheque de abandono, passando pela aglomeração, o pânico e as mais diversas reações de passageiros.

Mais que uma obra tecnicamente impecável, ‘Sully’ é um filme que provoca reflexões inevitáveis sobre a necessidade de valorização do fator humano na aviação. Trata-se, definitivamente, de uma ferramenta valiosa para a discussão da segurança de voo, obrigatória para qualquer pessoa envolvida com a atividade aérea.

Assista ao trailer

Dica de leitura

US Airways Flight 1549 Accident Report (NTSB, EUA)

Profissão Comissário é uma seção do blog Voando numa boa que reúne conteúdo específico para profissionais da aviação.

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Ex-comissário, hoje redator freelancer e estudante de Letras.

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